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sábado, 19 de março de 2011

Se relacionar é amar

 

Amar. A – M – A – R. Como diria Carlos Drummond de Andrade: verbo intransitivo. Aquele que não necessita de nada para o completar, que faz sentido sozinho. É engraçado como o amor está presente em tudo, faz parte da nossa vida, do nosso ser, do nosso existir. Combustão. Ação e Reação.  Simetria. Tudo é amor. É um olhar disfarçado que se perde ao encontrar outro olhar. É um gesto distraído de carinho. É a alegria que exala ao encontrarmos alguém que amamos e sentir a reciprocidade de sentimentos. O coração fervendo de calor. Palpitações estranhas. Um sorriso singelo. Um gosto espetacularmente bom de sentir-se querido. Um desejo incontrolável de querer. É se sentir vivo, dar adeus à inércia. O amor é o sentimento mais sublime, mais simples, franco, compassível, natural, tênue e ingênuo do universo. Não há nada de complexo no amor, toda a complexidade é inventada por nós, porque estamos acostumados a acreditar e venerar coisas que fazem sentido, que possam ser explicadas, observadas e comprovadas cientificamente. O amor não é assim, não podemos conceituá-lo, classificá-lo, amar é estar sujeito ao incompreensível. Relacionamos-nos a todo o momento, interagimos com o mundo a partir de relacionamentos, e qualquer relacionamento baseado nas veredas do carinho, afeto, respeito, lealdade, é amor. Por que gastamos tanto tempo tentando diferenciá-lo da paixão? Tentando dividi-lo em ágape, eros, storgé, philos? O amor é amor e só. Só? É mais que o bastante. Como um verbo intransitivo. 

Anyele Matos

Texto para a 14ª edição De-sa-fio - Projeto Créativité