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domingo, 22 de maio de 2011

The pain and the love

Quando somos magoados, procuramos ao redor por uma saída, um alívio, mas o que enxergamos são as causas de nossas feridas. Não adianta, somos humanos, e nossas relações acontecem dessa forma, magoamos uns aos outros. Hoje, quem nos acolhe nos braços e nos conforta a alma, nos ajudando a aliviar as dores, amanhã causará dores maiores. Maiores, porque quando amamos, somos envolvidos por esse amor de tal maneira que acreditamos apenas na beleza que dele jorrará, mas esquecemos que nascerão dores também, e quando nosso coração é atingido por quem faz parte dele, a ferida demora mais pra cicatrizar, dói do mesmo jeito, mas a profundidade é maior. Certamente o perdão virá, porque onde há amor, há perdão, mas as marcas ficarão em nós eternamente. Seria bom se as coisas fossem mais simples, se um 'me desculpe', 'estou arrepedida' ou 'eu te amo' resolvessem tudo, mas não resolvem. E ainda assim, não é tão fácil pedir perdão, não é tão fácil acertar, não é tão fácil amar. Eu já fui atingida ferozmente por pessoas que amo, e talvez, já tenha as ferido muito mais. Já magoei por simples capricho, deixei de pedir perdão por orgulho, já fui indifirente e estúpida com quem menos merecia, já deixei de fazer a coisa certa por teimosia. Me arrependi, e aprendi, mas ainda assim, não parei de magoar, nem de ser magoada. Estaremos sempre vulneráveis às dores que o amor causará.

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe


Primeiramente, obrigada por ter me dado a vida, sei que nove meses é muito tempo pra aguentar outro ser dentro de si, se mexendo, causando dores e desconforto. Obrigada por ter me recebido com todo carinho do lado de cá, sei que esse mundo não é tão receptivo e aconchegante pra um ser tão inocente e desprotegido, mas lá estava você, ao meu lado, pra me proteger e cuidar de mim durante todo o tempo. E quanto ao meu crescimento, não poderia ter sido mais saudável, sei que não pôde e ainda não pode me dar tudo que eu desejo, mas o que eu mais precisei, você sempre me deu de montão, amor, e isso não há nada que pague. Obrigada mãe, por me impor limites quando foi preciso. Obrigada por sua coragem e determinação em me proporcionar uma boa educação e principalmente em me tornar uma pessoa amorosa, humilde e de boa índole. Ah, desculpa se às vezes lhe causo dores de cabeça, mas é que é difícil pra você entender minhas razões, como é pra mim entender as suas de vez em quando. Mas depois, nada disso importa, porque amor de mãe e filho é maior que tudo. Talvez eu não viva dizendo “Eu te amo”, mas eu tenho outras formas únicas de demonstrar meu amor, e eu sei que você as percebe, porque eu também percebo as suas. Quando há uma grande ligação entre duas pessoas, não é preciso muito pra que elas se decifrem, com pequenos gestos tudo é revelado entre elas. Assim é entre eu e você.



Esta é minha homenagem a todas as mães, e a minha em especial.
E pras minhas outras mães, que não me gestaram, mas que cuidam de mim como se o tivessem feito, também gostaria de dizer obrigada.

sábado, 19 de março de 2011

Se relacionar é amar

 

Amar. A – M – A – R. Como diria Carlos Drummond de Andrade: verbo intransitivo. Aquele que não necessita de nada para o completar, que faz sentido sozinho. É engraçado como o amor está presente em tudo, faz parte da nossa vida, do nosso ser, do nosso existir. Combustão. Ação e Reação.  Simetria. Tudo é amor. É um olhar disfarçado que se perde ao encontrar outro olhar. É um gesto distraído de carinho. É a alegria que exala ao encontrarmos alguém que amamos e sentir a reciprocidade de sentimentos. O coração fervendo de calor. Palpitações estranhas. Um sorriso singelo. Um gosto espetacularmente bom de sentir-se querido. Um desejo incontrolável de querer. É se sentir vivo, dar adeus à inércia. O amor é o sentimento mais sublime, mais simples, franco, compassível, natural, tênue e ingênuo do universo. Não há nada de complexo no amor, toda a complexidade é inventada por nós, porque estamos acostumados a acreditar e venerar coisas que fazem sentido, que possam ser explicadas, observadas e comprovadas cientificamente. O amor não é assim, não podemos conceituá-lo, classificá-lo, amar é estar sujeito ao incompreensível. Relacionamos-nos a todo o momento, interagimos com o mundo a partir de relacionamentos, e qualquer relacionamento baseado nas veredas do carinho, afeto, respeito, lealdade, é amor. Por que gastamos tanto tempo tentando diferenciá-lo da paixão? Tentando dividi-lo em ágape, eros, storgé, philos? O amor é amor e só. Só? É mais que o bastante. Como um verbo intransitivo. 

Anyele Matos

Texto para a 14ª edição De-sa-fio - Projeto Créativité 

sexta-feira, 18 de março de 2011

Se amar é preciso, começem a doar amor!

Se querem que ela aprenda sobre o amor, mostrem-na o que é amar.
Se querem cobrar sentimentos, antes é preciso que sintam,
Ela está a espera de algum, para que possa ser preenchida,
Pode ser qualquer um, mas é melhor que pelo menos dessa vez seja amor.
Não, não foi. Como sempre, todos esquecem do amor.
É um ciclo instransponível da vida, nascemos rosas com delicadas pétalas sem cor e pouco a pouco vão nos colorindo.
Às vezes, por esquecerem de nos ensinar a amar, nos tornamos uma rosa fria, insensível e de cor desbotada, e passamos a ferir mais do que encantar.
Uma certa vez, ao ver pessoas sangrando por sua causa, uma certa rosa começou a se sentir culpada e sentiu que não estava certo, e então procurou mudar.
Pobre rosa, inocente, sem saber que não tinha culpa nenhuma.
Começou então a pedir ajuda a outras rosas, para que ela pudesse ser mais agradável e cativante, e saiu em busca de doações.
- Alguém se habilita a doar amor?
Ah, ela encontrou! Por incrível que pareça, encontrou alguém disposto a lhe doar amor, e depois outro alguém e depois outro.
No início, era algo totalmente desconhecido e por estar tão habituada a ser insensível como todos, não reconheceu-se capaz de sentir
Demorou pra distinguir aquilo que suavizava o ar e trazia uma brisa pura e um ar cheio de magia.
Mas no final, ela gostou tanto, sentiu-se tão feliz e humana, que passou a doar e receber amor por todos os cantos,
Ela foi se enchendo de cores, até que cada pétala tivesse uma cor diferente e depois trocava de cores.
Foi dessa forma que uma rosa comum que desconhecia o amor, decidiu não mais ferir, querendo ser bela, e ao descobrir sobre o amor, passou a amar, e não só isso, ela queria que todos amassem também, que pudessem descobrir aquele sentimento transformador. Foi indo em busca de mudança, trocando pétala por pétala de todas as rosas, cada uma com sua cor diferente, que ela conseguiu transformar seu jardim, no lugar mais colorido já visto na história.

Anyele Matos

Sobre a paixão


Será que também pensa em mim?
Será que também sente o mesmo quando estamos perto?
E será que algum dia já desejou minha presença?
Será que o seu olhar significa o mesmo que o meu?
Não sei, não sei de mais nada
Não posso controlar mais nada
Não sou mais dona de mim
Estou-me entregue a esse sentimento que me consome
Espero um dia poder me libertar
Quando esse fogo da paixão estiver se apagado
E eu conseguir ‘pensar’ novamente
Talvez ai eu perceba que as minhas respostas estavam defronte a mim
E que nada do que eu imaginava ser tão grande
Tinha o tamanho suficiente para permanecer importante
Mas enquanto jorrar por entre minhas veias esse calor que aquece minha solidão
E faz eu me sentir completamente viva, férvida
Depois de tempos vegetando, com o coração na inércia
Eu alimentarei o motivo da minha inquietação
Não quero voltar a minha forma apática de viver
Quero sentir, quero amar,
Nem que seja amar o desejo de ser amada
Não importa pra mim agora o que virá depois
Eu só quero contemplar a beleza de um sentimento idealizado, fantasiado
Um devaneio, eu sei, mas quero iludir-me até o final
Até eu sentir o coração voltando à inércia,
O frio voltar às minhas veias e tomar conta do meu corpo
Outras coisas tristes, indóceis e estáveis ocuparem os meus pensamentos
E então voltarei à vida mesquinha e real.

- Anyele Matos