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sexta-feira, 18 de março de 2011

Ao mundo - um grito de desespero


O mundo está como está.
Injustiças, inveja, falta de humildade
E não há nada o que fazer. Há?
Conviver com tudo, fingindo despreocupação
Com o seu futuro, com o futuro da nação
Desse mesmo jeito, o mundo sempre continuará a girar
Você querendo ou não
Os homens continuarão a duvidar
De Deus, da vida, do amor e da verdade
E com a ajuda da ciência
Pintarão seus rostos com as cores da maldade
Com dinheiro e ouro declararão sua potência.
A vida segue, crianças crescem
O tempo passou e a tecnologia só avançou
Mas a violência e o medo ainda as perseguem
Os idosos acreditaram e hoje estão descrentes
O que restava de esperança, viram em fumaça se esvair
Fumaça das guerras que continuaram, sem fim
Pondo fim a última chance de um recomeço
Mas não se importaram, continuaram com o velho vestígio
De homems  ‘inteligentes’. E agora me entristeço
Ao vê-los sem ter mais para onde ir
Usando bombas como fogos de artifício
Para anunciarem que chegou a hora de se auto-destruir.
                                              
Anyele Matos

Bela Adormecida


Minha vista está cansada. De tudo isso. De tudo que vejo.
De tudo de errado que vi e continuo, mas vejo outros fingindo não verem.
De tudo que nunca existiu e insisti em enxergar mesmo assim.
E de tudo que estava a minha frente e fiz questão de não enxergar.
Minha vista se cansou de tudo ou do nada que viu em minha vida.
Quero fechar os olhos.
Quero enxergar paisagens distantes,
Vislumbrar a beleza e a luz da escuridão do que não se pode ver.
Quero habitar outros planetas, outros ecossistemas, outras galáxias.
Quero a vastidão e a imensidão do vazio das minhas visões jamais vistas,
Pois sei, que são melhores que as que passam por meus olhos abertos todos os dias.
Prefiro enxergar de olhos fechados.
Quero descansar minha vista,
Quero a possibilidade de um momento de trégua,
Quero adormecer, por um longo tempo, esquecer tudo isso aqui.
Quero fugir – de uma realidade cansativa – para viver de forma não menos real, enxergar belezas mais belas que essas.
De qualquer modo, depois disso, nada mudará, quando eu abrir os olhos, tudo voltará a ser exatamente igual ao que sempre foi,
E minha visão continuará a mesma, intacta,
E as mesmas imagens continuarão a perseguir os meus olhos.
Não há como fugir.

Anyele Matos

Sonhos, esperanças, desejos...



… Tudo que passa por mim e me carrega para frente.
Tudo que já esteve aqui e alimentou meu ser.
E quero continuar, não devo parar, nunca.
Uma pessoa sem sonhos, não é uma pessoa.
Todos precisam de sonhos para viver.
Mas chega um momento, em que apenas sonhar não te satisfaz.
Então, você quer parar, colocar os pés no chão e viver.
Viver de verdade, buscar por algo, que até agora só habitava um mundo distante de sonhos.
Não importa o que você alcance,
Vale qualquer coisa que te faça se sentir viva,
Qualquer coisa que seja real, palpável e concreto.
Eu não estou esquecendo os meus sonhos,
Não estou abandonando tudo que sempre quis e quero,
Não. Apenas quero algo mais.
E o que há além dos sonhos? O que há a mais?
Não sei a ordem correta das coisas.
A vida, os sonhos e como são intercalados entre nós , é tudo estranho.
E sendo assim, não vai fazer diferença viver ou sonhar estranhamente.
Não vai importar a ordem.
Mas o que importa, é que nesse momento, me sinto melhor vivendo.

Anyele Matos

Espelho



Olho-me no espelho.
Vejo o que sou e o que não sou.
Vejo-me completa e em partes.
Vejo as imperfeições, manchas e marcas gravadas em meu corpo
Posso ver lágrimas e sorrisos escondidos em meu rosto.
Posso ver o que ninguém mais é capaz,
Sentimentos guardados com cuidado
Revelações que poderiam ser mostrados em um olhar
Mas nunca foram decifrados.
Antes do que eu vejo de mim no espelho.
Há o que os outros podem ver.
Há o quem vêem de mim e de si mesmos
Sempre existem distorções a esse respeito
Todos nós forjamos nossa imagem,
Com necessidade de esconder algumas partes.
Conheço cada detalhe da minha imagem no espelho.
Já convivi comigo o bastante pra me deparar desgostosa, 
Com meu lado podre, arruinado.
Que mancha e borra a imagem do outro lado belo e encantado.
Não, não é justo ser manchada pelo outro lado,
Então, esqueço-o e prendo-o dentro do espelho
Não é que eu não seja assim como me mostro,
Apenas existem coisas, partes de mim,
Que não merecem ser mostradas,
Nunca. Jamais.
Nem pra mim mesma na frente do espelho.

-Anyele Matos


Liberdade

 

Dá licença? Se eu quiser chorar?
Ninguém pode controlar o que irei sofrer
São os meus sentimentos. Posso sentir?

Dá licença? Se eu quiser seguir?
Ninguém pode controlar por onde irei caminhar
São os meus passos. Posso ir?

Dá licença? Se eu quiser tentar?
Não quero permanecer a mesma, com os mesmos erros e acertos
É a minha vida. Posso mudar?

Dá licença? Se eu quiser me enganar?
Ninguém vai poder me livrar
É a minha ‘cara’. Posso quebrá-la sozinha?

Eu só queria poder querer ser um pouco de tudo.
Quero sentir, chorar, seguir, me enganar e mudar
Não posso aprender nada sem viver
E não quero pular nenhuma parte, nem a da dor
Quero ver as feridas cicatrizando
E assim vou seguir caminhando
Até o dia em que eu perceba que não vale mais a pena
Só aí, voltarei a ser a mesma, única
Antes disso, posso querer?

- Anyele Matos 

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta,
não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."
 - Cecília Meireles

Ideias

Tenho muitas ideias em minha mente
São tantas que elas se confundem, se misturam
Não pediria a ninguém pra entendê-las, pra me entender
Nunca consegui fazer isso
Só não se assuste com as minhas contradições
Sou como uma obra em construção
Uma escultura sendo moldada, muito ainda vai mudar.
Não, não é normal. É estranho. É confuso.
De tempos em tempos ideias diferentes se cruzam
Então uma vira a esquina do passado e a outra segue comigo
Até que outra chegue pra substituí-la
É um eterno círculo de mudança
A única idéia definitiva é que não há última palavra
Quando houver, poderei dizer:
Meu tempo de metamorfose acabou
E o meu ser se concretizou.
Mas ainda assim, haverá ideias em minha mente
E as palavras continuarão fluindo.

- Anyele Matos